quinta-feira, 10 de março de 2011

Por que Choro *-*

Não é o encontrar-me só que me traz o pranto.
Antes eu já chorava e nem era tão só:
Tinha comigo a visão dos tempos
conjugados em todos os seus tempos.
E nem posso considerar que sou apenas solidão.
Quando é dia e o sol se espalha
nas árvores do meu quintal,
sempre vem cantar-me um passarinho.
Quando é noite a lua me visita, solene
e despe-se sem qualquer pudor,
feminina, translúcida, desejosa de aclarar-me.
O que me faz o choro é uma ausência,
uma claríssima distância de mim mesmo,
que nunca estou onde me encontro...
O meu estar é num espaço imaterial que,
em assim sendo, não existe para mim,
desde que ainda sou uma finita matéria.

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